No Acesso Antecipado, o indie une RPG por turnos e combate tático, com visuais marcantes e boas ideias. Porém, mecânicas, balanceamento e polimento geral ainda precisam evoluir para valer a aposta.
Prelude Dark Pain chega como uma aposta indie que tenta alinhar duas coisas ao mesmo tempo: ser um Role Playing Game de verdade e, ao mesmo tempo, um RPG tático que coloca cenário e posicionamento no centro das batalhas. No Acesso Antecipado, o jogo já mostra personalidade — especialmente no visual —, mas também expõe onde precisa evoluir para cumprir essa ambição.
Antes de mais nada, vale esclarecer um ponto técnico: RPG por turnos e RPG tático não são sinônimos perfeitos. Todo RPG tático é por turnos, mas nem todo RPG por turnos é tático. O que caracteriza o tático é, além do sistema por turnos, a visão isométrica e o uso do cenário como elemento estratégico: posicionamento, cobertura, alcance e altura importam. Prelude Dark Pain aposta nessa lógica com tabuleiros que descrevem alcance, posições e obstáculos, exigindo que o jogador pense onde colocar cada aliado.
A identidade visual do jogo é um dos seus trunfos. A QUICKFIREGAMES optou por arte 2D que remete a jogos como Hades e Don’t Starve: traços marcantes, texturas e uma paleta que encaixam bem num mundo de fantasia sombria. As cutscenes são apresentadas em formato de Motion Comics — quadrinhos animados que misturam sequências ilustradas com som e efeitos cinematográficos — o que dá uma personalidade bacana à narrativa.
Mesmo assim, há um detalhe técnico e narrativo que incomoda: as cutscenes em Motion Comics não usam balões de fala, o que faz com que as legendas pareçam um remendo. A transição, efeitos sonoros e onomatopeias funcionam, mas a ausência dos balões reduz a linguagem característica dos quadrinhos e prejudica a imersão. Isso é algo que deve ser corrigido na versão final.
No plano da história, o jogo acompanha Soren, um ferreiro, e seu filho Tizon em busca de Hegoa, esposa de Soren, que foi capturada por inquisidores da chamada Ordem da Cruzada Cinzenta. O inimigo conhecido como General Forrel lidera essa ordem e pretende executar Hegoa, acusada de bruxaria. A motivação central é pessoal e direta; o alcance emocional e o contexto mais amplo ainda parecem restritos, deixando espaço para aprofundamento nos próximos atos do jogo.
O combate entrega a base de um RPG tático: movimentação em grade, pontos de ação, ataques corpo a corpo e à distância e uma mecânica de dano crítico que varia conforme o ângulo de ataque (frente, lado, costas). Essas decisões posicionais são interessantes, mas sinais visuais e sonoros que indicam acertos críticos ou falhas não estão claros o suficiente. Jogadores que pulam tutoriais podem não perceber essas nuances.
O menu de combate é intuitivo e lembra interfaces de jogos táticos recentes, trazendo ações, habilidades e movimentação bem organizadas. Ainda assim, elementos como integração entre sistemas, feedback das ações e profundidade de progressão pedem maturidade. Em suma, Prelude Dark Pain mostra potencial — arte forte e um combate que já funciona em base —, mas precisa polir narrativa, sinais de combate e alguns detalhes de apresentação para se tornar um RPG tático completo.








