ENP lança infraestrutura europeia para enfrentar Visa e Mastercard

Rafael Ramos
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A European Network for Payments (ENP) reúne Bizum, Bancomat, Wero, SIBS-MB WAY e Vipps para criar uma infraestrutura comum de pagamentos. Objetivo: ampliar interoperabilidade e reduzir dependência de redes dos EUA.

A European Network for Payments (ENP) surge como uma joint venture de empresas de pagamento na Europa para aumentar a interoperabilidade entre redes concorrentes e construir uma infraestrutura europeia comum. Reforçando um discurso de soberania num cenário em que as tensões entre Washington e a Europa continuam a crescer, a iniciativa pretende criar uma alternativa que, na prática, deve dificultar bastante a vida de Visa, Mastercard e outras gigantes norte-americanas em solo europeu.

Fundadores

  • Bizum (Espanha)
  • Bancomat (Itália)
  • Wero (carteira digital europeia)
  • SIBS-MB WAY
  • Vipps MobilePay

A iniciativa foi lançada inicialmente em 2023 e reúne atores que já têm presença relevante em diferentes mercados europeus. Juntas, essas redes e carteiras atendem a cerca de 70% da população da Europa e da Noruega, abarcando aproximadamente 130 milhões de usuários em 13 países. Esses números traduzem um ponto de partida robusto para a criação de uma infraestrutura compartilhada.

Alcance

  • 70% da população da Europa e da Noruega atendida pelas entidades envolvidas
  • 130 milhões de usuários cobertos
  • 13 países incluídos na cobertura inicial

Na prática, interoperabilidade significa que sistemas diferentes conseguem trocar informações e processar pagamentos entre si sem atritos. Para o consumidor final, isso pode resultar em pagamentos instantâneos entre contas e carteiras distintas, menos fricção em transações transfronteiriças e potencial redução de taxas associadas à conversão e à intermediação por redes externas.

Do ponto de vista do mercado, uma infraestrutura comum europeia tende a aumentar a concorrência ao oferecer uma alternativa que agrega escala local. Isso pode levar a negociações diferentes sobre taxas de processamento, padrões técnicos e parcerias com bancos e estabelecimentos comerciais. Ao mesmo tempo, o desafio técnico e regulatório é grande: é preciso alinhar padrões, garantir segurança e privacidade, e obter adesão ampla de bancos, fintechs e comerciantes.

A criação da ENP aparece em um contexto em que estados e empresas buscam maior autonomia em sistemas financeiros críticos. A expectativa é que a rede funcione como um backbone regional para pagamentos, habilitando integrações mais simples entre provedores europeus e potencialmente mudando a dinâmica de poder no setor de pagamentos dentro do continente.

Resta observar como será a adoção prática nos próximos meses e a resposta de players já estabelecidos, além das implicações para consumidores e negócios que dependem de pagamentos digitais.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.