Intel anuncia corte na divisão de data centers antes dos resultados

Rafael Ramos
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Intel confirmou cortes não especificados na unidade de data centers, responsável pelos Xeon e hardware de IA, em reestruturação liderada por Lip-Bu Tan. As ações subiram até 8%; anúncio sai dois dias antes do balanço.

A Intel confirmou que irá reduzir um número não especificado de empregos em sua divisão de data centers, a responsável pelos processadores Xeon e hardware voltado para Inteligência Artificial. Essa decisão faz parte de uma reestruturação mais ampla sob a gestão do CEO Lip-Bu Tan.

As ações da empresa reagiram positivamente, subindo até 8% nas negociações iniciais, ampliando uma valorização que fez o papel mais do que dobrar de preço neste ano. Os novos cortes ocorrerão dois dias antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre, que está marcada para quinta-feira.

A empresa informou que a divisão de data centers está “ajustando sua organização para garantir que disponha das funções e competências adequadas para posicionar o negócio visando ao sucesso a longo prazo”. Contudo, o comunicado não especifica quantos cargos serão eliminados.

Embora a divisão de data centers e IA tenha registrado uma receita de US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25,42 bilhões) no último trimestre, um aumento de 22% em relação ao ano anterior, a Intel enfrenta um paradoxo ao cortar funcionários na unidade de negócios que impulsiona sua recuperação financeira. Isso sugere que Tan vê a reviravolta como uma questão de eficiência, e não de escala.

A linha Xeon tem desempenhado um papel crescente como processador principal em sistemas de IA, incluindo a plataforma Vera Rubin, da NVIDIA. Entretanto, a Intel ainda não lançou um chip acelerador de IA competitivo que possa rivalizar com as GPUs da NVIDIA, o que resultou em bilhões de dólares em receitas perdidas.

Desde que Tan assumiu a liderança, a Intel cortou dezenas de milhares de empregos, reduzindo seu quadro para cerca de 83.200 funcionários, comparado ao pico de quase 132.000 em 2022. A expectativa é que a empresa termine o ano com aproximadamente 75.000 funcionários.

Esses cortes se inserem em uma tendência no setor de tecnologia, onde empresas como Meta e Oracle também estão reduzindo suas equipes enquanto aumentam os investimentos em infraestrutura de IA.

O governo dos EUA possui uma participação de 10% na Intel, adquirida por meio da conversão de subsídios da lei CHIPS Act. Essa participação agora vale dezenas de bilhões de dólares, após a forte valorização das ações sob a liderança de Tan.

A recuperação da Intel tem sido impulsionada pela entrada do processo de fabricação 18A em produção de alto volume, por parcerias com a Apple e a Amazon, além de capturar a demanda decorrente da expansão de data centers voltados para IA. A divulgação dos resultados na quinta-feira será crucial, pois os números da divisão de data centers serão os mais observados pelos investidores.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.