Plano prevê ampliar cobertura de 27,2 mil km para 57,1 mil km até 2030; expansão começa em 2027. A medida permitirá que clientes usem outra rede quando não houver conexão, garantindo internet móvel nas estradas.
O governo federal anunciou um plano para dobrar a cobertura de sinal de celular nas rodovias do país por meio da nova Política Nacional de Conectividade em Rodovias. A meta é saltar dos atuais 27,2 mil quilômetros atendidos para 57,1 mil quilômetros com internet móvel até o ano de 2030.
O aumento da cobertura já deve começar no ano que vem. Para acelerar a expansão, será utilizado o sistema de roaming entre as operadoras, uma regra que permite usar a rede de outra empresa quando o sinal da própria prestadora está ausente em determinada área. Em termos práticos, isso significa que clientes poderão se conectar automaticamente à infraestrutura de concorrentes em trechos sem cobertura da sua operadora.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá regulamentar os detalhes técnicos e os valores dessa operação. O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, explicou que o governo não fará repasses financeiros para as empresas de telefonia; as próprias companhias farão o acerto de contas por meio da troca mútua de infraestrutura.
Metas de cobertura
- 27,2 mil km — extensão atendida atualmente
- 57,1 mil km — objetivo até 2030
- 16 mil km — trecho adicional previsto em rodovias federais até 2027
- 42 mil km — trecho adicional previsto em estradas estaduais até 2027
Vias prioritárias
- BR-101 — prioridade absoluta para receber sinal em toda sua extensão
- BR-116 — na lista de urgência do projeto
- BR-135 — na lista de urgência do projeto
- BR-163 — na lista de urgência do projeto
- BR-242 — na lista de urgência do projeto
- BR-364 — na lista de urgência do projeto
O uso do roaming como ferramenta de expansão é uma estratégia técnica e comercial: permite ampliar rapidamente o alcance do serviço sem que o governo invista diretamente nas redes. Ainda assim, questões práticas vão depender da regulamentação da Anatel, que deverá definir como serão calculados os repasses entre operadoras quando uma delas fornecer tráfego para clientes de outra.
É importante observar também o panorama atual da conectividade nas rodovias: segundo a Anatel, apenas metade das rodovias do país têm sinal 4G atualmente. A proposta busca reduzir essa lacuna ao longo dos próximos anos, com metas específicas para 2027 e 2030. A implementação efetiva dependerá do detalhamento regulamentar e do acordo operacional entre as empresas envolvidas.