Montadoras asiáticas apresentam SUVs anfíbios com vedação reforçada e propulsão para água, pensados para rotas de fuga em enchentes. Jetour G700 desembarca este ano; BYD U8 chega em 2027.
O mercado brasileiro em breve terá opções de utilitários esportivos capazes de flutuar na água. Montadoras asiáticas estão investindo em veículos anfíbios que prometem oferecer rotas de fuga em casos de enchentes e ruas alagadas, com soluções que vão desde vedação reforçada até propulsão elétrica na água.
Entre os modelos citados estão o Jetour G700, que desembarca no país ainda este ano, e o BYD YangWang U8, que tem estreia marcada para 2027. A nova tendência de luxo inclui também o Geely Battleship 700, carro robusto que possui 1.113 cavalos de potência e navega por até 40 minutos em áreas com mais de 80 cm de profundidade. A velocidade na água chega a 7 km/h graças a um par de hélices elétricas instaladas nas saídas de escapamento.
O sucesso nas lojas asiáticas foi imediato: o Geely Battleship 700 registrou dez mil pedidos em apenas doze minutos, e a montadora já planeja exportar o modelo globalmente. Esses números mostram que a proposta de veículos que combinam capacidade off-road e habilidades anfíbias tem apelo em mercados onde enchentes e inundações são recorrentes.
Segundo a engenharia por trás desses projetos, manter um carro de três toneladas na superfície exige isolamento total da cabine e do cofre do motor. Para isso, os fabricantes adotam certificações de vedação e soluções específicas: os modelos da BYD e da Chery têm a certificação IP68, enquanto o utilitário da Geely garante proteção IPX8 exclusiva para o sistema de tração. As classificações IP indicam o nível de proteção contra entrada de sólidos e líquidos; por exemplo, IP68 normalmente sinaliza resistência a imersão continua em condições definidas pelo fabricante, enquanto IPX8 foca na proteção contra água em imersões profundas.
Componentes como cabos, motores e baterias recebem conectores especiais e anéis de borracha para barrar a entrada de líquidos. Algumas técnicas de produção também mudam: a Jetour eliminou os furos da carroceria com o uso de soldas contínuas, reduzindo pontos de entrada de água. Essas adaptações visam evitar curtos-circuitos e falhas elétricas durante a operação em ambientes alagados.
O crescimento dessa oferta no Brasil deve abrir debate sobre regulação, testes de certificação locais e infraestrutura de manutenção. Para além do apelo tecnológico e do luxo, os aviamentos técnicos desses SUVs anfíbios trazem implicações práticas para proprietários, seguradoras e órgãos de trânsito, que terão de avaliar cuidados específicos na operação e na assistência desses veículos em território nacional.