Vendas globais de PCs caem 20% no 3º tri com avanço da IA

Rafael Ramos
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IDC e Omdia apontam queda anual superior a 20% nas vendas de PCs no 3º tri de 2026, cerca de 15,8 milhões de unidades a menos. A migração da produção para memórias HBM, usadas em GPUs de IA, desviou investimentos.

Levantamentos das agências IDC Global e Omdia revelam que as vendas globais de computadores despencaram mais de 20% na comparação anual no terceiro trimestre de 2026. O setor encolheu em cerca de 15,8 milhões de unidades, segundo os números compilados, num cenário diretamente impactado pela corrida das gigantes de tecnologia por infraestrutura de Inteligência Artificial.

A explicação para a queda é direta: o avanço dos data centers redirecionou investimentos e prioridade de produção para memórias HBM (High Bandwidth Memory), que são essenciais para as GPUs usadas em cargas de IA. Com essa prioridade industrial, a oferta de componentes destinados ao mercado de consumo ficou reduzida, afetando desde PCs montados até upgrades de memória para usuários finais.

O efeito prático foi sentido nas prateleiras e nos preços. A escassez de módulos RAM e outros insumos fez kits de 128 GB de DDR5 terem alta expressiva — em alguns casos os preços saltaram até 500% e chegaram a bater os US$ 3.399 (~R$ 17 mil). Esses aumentos tornaram upgrades e compras de máquinas novas inviáveis para boa parte do público.

Algumas decisões corporativas também já tinham refletido a mudança de foco do mercado. Empresas do setor encerraram operações ou marcas voltadas ao consumidor em 2025, uma resposta à demanda concentrada em data centers. Além disso, ao prever a crise, as montadoras estocaram peças no segundo trimestre, o que distorceu o padrão natural de oferta e demanda e intensificou a sensação de escassez nas lojas.

É importante entender as diferenças entre os tipos de memória mencionados: HBM é projetada para throughput muito alto e baixa latência em aplicações como aceleração de IA e processamento gráfico de ponta; DDR5 é a memória principal usada em PCs e servidores convencionais, com foco em capacidade e compatibilidade para tarefas gerais. Quando a indústria prioriza HBM, os processos de fabricação e a disponibilidade de wafers e componentes relacionados podem reduzir atendimento ao mercado de DDR5 e outros produtos de consumo.

O resultado foi uma combinação de queda nas vendas, aumento de preços e realocação de recursos na cadeia produtiva. Consumidores e revendedores sentiram o impacto direto, enquanto a indústria e os data centers capturaram a maior parte do fornecimento disponível. Os números das agências servem como retrato desse deslocamento de prioridade dentro do mercado de tecnologia.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.